Archive for the ‘causos’ Category
A Hora Marcada
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Esse conto é realmente muito bom, cedido especialmente por meu padrinho, o grandessíssimo
Fernando Américo.
É um conto fantástico, vai por mim.
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A Hora Marcada
Nova York, 04/04/04.
O relógio digital marcava 4 horas e 2 minutos da madrugada. Sofia apertava o xale contra os ombros, espantando o frio do início de primavera em Nova York, enquanto esperava passar mais um minuto do relógio. Seus ossos doíam; era a artrite que piorava ao menor sinal de frio. Mas ela não se importava; perto do que ela já tinha passado há 60 anos atrás, a dor da artrite podia ser considerada um prazer. Era só se lembrar do frio do porão da fábrica de picles, na Kalverstraat Street, em Amsterdã. Do frio e do cheiro acre dos picles estragados que escondiam a ela e a sua família…
Como um passe de mágica, a dor da artrite ficou mais suportável. Lágrimas vieram aos seus olhos ao se lembrar do irmão Samuel, um pequeno gênio da matemática, sempre obcecado pelo número 4… Na época, ele era o irmão mais velho. Sofia esperava reencontrá-lo agora, mas não sabia se seu plano daria certo. Durante anos ela tinha estudado as capicuas – uma confluência de horas, minutos, segundos, dia, mês e ano, que configuravam uma data perfeita, um palíndromo do tempo, formando um numeral que poderia ser lido de trás para frente, e de frente para trás. Algo como as 11 horas, 11 minutos e 11 segundos do dia 11 de Novembro (11) do ano 1111. Samuel era fascinado com estas datas perfeitas, e acreditava que, se alguém se preparasse muito, poderia aproveitar o exato momento de uma capicua para viajar no tempo e no espaço. Em sua infância, Sofia não acreditava muito nisso; observava com desprezo Samuel fazendo seus cálculos, planejando o que fazer no momento exato da primeira capicua que iriam viver, no dia 04 de Abril de 1944. Naquela época, mal podiam imaginar onde estariam nesta data…
Jack Kraven Episódio 1 – Parte 2
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Veja a primeira parte do primeiro episódio: Jack Kraven – Episódio 1 – Parte 1
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Jack se levantou enquanto sacava suas pistolas, foi um movimento que ninguém naquela taverna pode ver, quando assustaram Gamble já estava com os miolos pregados na parede, antes que alguém conseguisse se mexer mais 4 já estavam entrando no vale da morte. Jack Kraven era rápido, céus como era rápido e certeiro. Ele nunca disperdiçava uma bala. Enquanto alguns se atreviam a atirar nele outros fugiam prometendo a Deus que nunca mais fariam nada de mau. Jack parecia dançar, o corpo se movia perfeitamente, as armas pareciam espadas que eram brandidas pelo melhor dos espadachins.
Tinha apenas mais uma bala no tambor e ainda havia vários porcos para matar, mas ele não se preocupou, ia mostrar sua mágica. Rapidamente viu quem iria receber a última bala, Trevor Hausban ia saindo de fininho enquanto seus homens atiravam ‘protegidos’ pelas mesas do Antro Gumble. Jack se projetou para frente e enquanto caia no chão acertou o joelho de Hausban, não era hora…ainda. Ele foi se deslocando calmamente em direção a parede oposta a seus inimigos, colocou os tambores para fora e girou-os no cinto. Pronto, tambores cheios denovo. Ele apontou as armas e assobiou. Todos pararam de atirar, o cheiro de sangue e morte impregnava o local e Jack ria, ouvia-se apenas a respiração ofegante dos corajosos combatentes, o choro da viúva Caty e o som da dor de Trevor Hausban.
Jack Kraven – Episódio 1 | Parte 1
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Antes de começar uma rápida explicação Isto aqui será uma série de contos sobre Jack Kraven, um pistoleiro que viveu há muito tempo em um país qualquer em um mundo parecido com o nosso.
Jack Kraven – Episódio 1
Finalmente. A taverna Gumble, principal reduto da corja da grande Tron. Dez longos anos se foram desde a última vez que Jack Kraven estivera aqui. Dez longos anos desde a Noite da Lamentação. Dez longos anos desde que tiraram de um garoto de 14 anos tudo o que ele tinha. Dez longos anos desde que ele prometera que iria se vingar.
Jack respirava fundo, estava revivendo todo seu passado naquele momento, o cheiro de bebida barata entrava em seus pulmões e lhe dava nojo. O cheiro podre daquele lugar o levava a loucura. E era da loucura que ele precisava, o plano era entrar, sentar, tomar um trago e depois matar. Matar até não restar nenhuma alma viva naquele antro. Ele sabia quem estava lá. Roger Gumble, o dono da taverna, Caty Gumble, mulher de Roger e puta mor. Além é claro do milhonário Trevor Hausban. Os três estavam no topo da lista de Jack. Quem mais estava na taverna não importava tanto, mas não interessava, só de estarem ali mamando e degustando da podridão que era aquele lugar, mereciam a morte.
A Briga – Parte 2
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A Briga – Parte 2
Ramon vinha com seu Pálio novinho pela avenida e quando viu que já estava se aproximando da antiga casa da família – seu avô ainda morava lá – quando começou a sentir tudo aquilo que sentimos quando nos aproximamos de lembranças de uma infância muito bem vivida. O frio na barriga, as lembranças em turbilhões pela cabeça quando virou a esquina e de longe conseguiu ver a antiga e eterna Pracinha.
Era Sábado de Aleluia, e como em quase todos os feriados, vinha para a cidade em que nasceu rever a família e os outros primos que vinham de longe. Estacionou ao lado da pracinha e desceu do carro. Respirou fundo e junto com todo o oxigênio, mais lembranças e uma em particular fez com que ele olhasse para o centro da Fonte Seca. Nunca soube por que chamavam aquilo de fonte, já que nunca houve uma fonte ali. Era mais como uma piscina sem água com pedrinhas brancas e areia dentro. Enquanto olhava para a Fonte estava tão absorto em seus pensamentos que nem reparou no homem que se aproximava, até ele falar.
- Eu iria acabar com você aquele dia.
A Briga – Parte 1
Ramonzinho estava suando em bicas, estava nervoso. Mas ou ele virava as figurinhas ou seria zoado pela turma o resto da vida. Ele fizera a aposta. Se virasse, além de ganhar as figurinhas de seu arquiinimigo - Renatinho “Bossa Nova” – ele ainda viraria uma lenda e entraria para história é claro. Não é qualquer um que faz a turma inteira da rua de baixo andar com roupas de menina pela pracinha.





